sábado, 16 de março de 2013

Heresia: Porque o Arminianismo não é heresia


Por Will Birch

images

Desde o Verão de 1619, os Calvinistas têm pensado, da mais ridicula forma, do Arminianismo Clássico como heresia. Alister McGrath em seu livro Heresy: A History of Defending the Truth (Heresia: Uma história da defesa da Verdade), observa que o Arminianismo não pode ser considerado uma heresia desde que heresia é “ultimamente um ensino julgado inaceitável por toda a igreja.”[1] O Sínodo de Dort de 1619, que condenou o Arminianismo como heresia não representa a totalidade da igreja, mas somente indivíduos calvinisticamente inclinados de várias províncias.
Arminianismo sempre foi considerado, até mesmo se anacronicamente assim, o ensino dos Pais da Igreja primitiva, bem como a ortodoxia oriental.[2] A fim de defender o Arminianismo como ortodoxo, assim absolvendo o sistema das acusações de heresia, nós devemos primeiro analisar as acusações levantadas contra seus principais ensinos.
Na introdução de seu livro Willing to Believe: The Controversy over Free Will (Dispostos s Crer: a controvérsia sobre o livre arbítrio), R.C. Sproul, o pai, quando perguntado se ele acha que os Arminianos são cristãos, ele responde: “Sim, quase. Eles são cristãos pelo que nós chamamos de uma feliz inconsistência”.[3] Ele concorda com J.I. Packer e O.R. Johnston, que insistem que Arminianos, porque eles rejeitam a (não comprovada biblicamente e eminentemente filosófica) teoria que a regeneração deve preceder a fé, eles “assim negam o total desamparo do homem no pecado e afirmam que uma forma de semi-Pelagianismo é verdade, afinal.”[4]
Esta é a razão, então os autores estão convencidos de que a teologia Reformada condenou o Arminianismo como sendo em principio um retorno a Roma, porque em efeito ele qualificou a fé como uma obra meritória e uma traição da própria Reforma, porque isso alegadamente negou a soberania de Deus em salvar os pecadores.[5] Calvinistas tais como o Dr Sproul e J.I. Packer (para não mencionar John Piper, John MacArthur, Mark Driscoll e muitos outros) continua a me provar que estou certo: a maioria dos Calvinistas se encontram objetivamente representando o Arminianismo Clássico com precisão uma impossibilidade.
 Os Calvinistas certamente creem, na opinião do Arminiano Clássico, que todos os pecadores não tem, por natureza, qualquer capacidade de saber o entender “as profundezas de Deus” (I Coríntios 2.10), para “receber os dons do Espírito de Deus” e para entende-las porque elas se discernem espiritualmente” (I Coríntios 2.14). O não regenerado não se “sujeita a lei de Deus – na verdade [eles] não podem” (Romanos 8.7).
No entanto, para o Calvinista, a única solução para a desesperada situação do pecador é uma estrita regeneração monergística. Packer e Johnston explicam: A soberania da graça encontrou expressão no pensamento deles [dos Reformadores] em um nível mais profundo ainda, na doutrina da regeneração monergística – a doutrina, isto é, que a fé que recebe a Cristo para a justificação é em si mesma o dom gratuito de um Deus soberano, concedida pela regeneração espiritual no ato da chamada eficaz.[6]
Se um cristão não mantém esta teoria, então, alguns Calvinistas supõe, então que ele ou ela é acusado de advogar “autonomia e auto-esforço.”[7] Colocando estas declarações desta forma, os Calvinistas tem pesado a si mesmos em seus próprios nichos convenientes, declarando todos os outros crentes como não ortodoxos, heterodoxos, ou como Packer, Johnston e Sproul tem feito, “não cristãos” ou “anti cristãos.”[8] Ou alguém mantém um monergismo estrito (ou seja, High Calvinismo), ou mantém uma heresia. Tal admissão trai a Escritura e a História da Igreja.
Primeiro, a fé evangélica no Arminianismo Clássico é defendida como um dom de Deus e não pode, em nenhum sentido, ser considerada uma obra própria. Por definição, a fé não pode ser vista como uma obra, pois o Apóstolo Paulo afirma que “Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Romanos 4:5). A fé não é uma obra. Portanto, monergismo estrito (isto é, que a regeneração deve preceder a fé a fim de não ser considerada uma obra) é uma teoria supérflua na melhor das hipóteses.
Arminius explicitly states, “Faith is a gracious and gratuitous gift of God, bestowed according to the administration of the means necessary to conduce to the end; that is, according to such an administration as the justice of God requires either towards the side of mercy or towards that of severity.”9 What Calvinists cannot abide is his following statement:
Arminius declara explicitamente, “Fé é um gracioso e gratuito dom de Deus, concedida de acordo com a administração dos meios necessários para conduzir a um fim; isto é, de acordo com tal administração como requer a justiça de Deus, quer para o lado da misericórdia ou para o da severidade.”[9] O que os Calvinistas não podem suportar é sua declaração seguinte:
É um presente que não é concedido de acordo com uma vontade absoluta de salvar alguns homens em particular: porque isso é uma condição requerida no objeto a ser salvo, e isso é de fato uma condição anterior que é o meio para obtermos a salvação.[10]
Para o Calvinista, Deus não pode meramente capacitar um individuo a crer (que a Escritura explicitamente ensina: João 6.44, 65; Filipenses 1.29), mas deve causar a fé do pecador a crer por meio da regeneração e da “implantação” da fé. Assim, uma pessoa é realmente salva/regenerada para a fé, não por fé, que é contrário ao explicito ensino bíblico (Efésios 2.8).
Segundo, Arminianismo Clássico advoga um monergismo inicial. O Santo Espírito é enviado por Cristo Jesus para “convencer o mundo sobre o pecado a justiça e o juízo” (João 16.8). Ninguém pede para ser convencido pelo Espírito de Deus, esta obra é monergística. O poder proativo e graça e ação de Deus significa levar o pecador ao arrependimento (Rm 2.4). Ainda, em nenhum lugar das Escrituras somos ensinados que a intenção ou propósito de Deus é regenerar monergisticamente seus eleitos incondicionalmente, para que eles possam então crer em Jesus Cristo. Mais ao ponto, acreditamos que a Escritura ensina exatamente o oposto.
A Escritura ensina que todos que primeiro recebem a Cristo Jesus como Senhor e Salvador são então dados o direito de serem feitos filhos de Deus (João 1.12). Nós não somos filhos de Deus primeiro para possuir a fé em Cristo. Isso é colocar o carro na frente dos bois. A fé, então, precede a regeneração, para os filhos de Deus serem “nascidos…da vontade de Deus” (João 1.13) somente após receber primeiro ou crer em Jesus Cristo.
Nós entendemos da Escritura que a regeneração é o ato de Deus que nos salva (Tito 3.5): “Ele nos salvou…por meio do lavar regenerador e renovador do Santo Espírito”. Salvação e regeneração estão interconectados; não pode haver um sem um outro. Ainda, a Escritura também confessa que um individuo é salvo pela fé no Senhor Jesus Cristo (Rm 3.22, 25, 26, 27, 28; 4.1-5,16; 5.1; Gl 2.16, 20; 3.11; Ef 2.8). Se alguém é salvo pela graça por meio da fé, então essa pessoa é regenerada por Deus quando crê em Cristo, que significa que a fé precede a regeneração (Ef 2.8; Cl 2.13).
Nós não estamos permitidos definer a palavra grace como regeneração. O apóstolo Paulo explicitamente declara tanto informando aos crentes de Colossos que Deus os regenerou depois que eles tiveram os seus pecados perdoados (Cl 2.13). Sabemos que as pessoas só são perdoadas de seus pecados e são justificadas pela fé em Cristo (Rm 5.1). Assim, novamente, a fé precede a regeneração.
Embora um individuo deve ser capacitado (João 6.44) e concedido (João 6.65; Fp 1.29) o poder para crer, a crença atual é feita pelo individuo e não por Deus (Mt 9.22, 29; 15.28; Mc 4.40; Lc 8.25; At 14.9; Rm 1.8; 4.5; I Co 2.5; 15.14; II Co 1.24; Ef 1.15; Fp 2.17; Cl 1.4; 2.5; I Ts 3.2, 5, 6,7, 10; Fl 1.6; Hb 10.23; 12.2; Tg 1.3; 2.18; I Pd 1.7, 9,21; II Pd 1.5; I Jo 5.4; Jd 1.20). Deus não crê por nós, nem Ele implanta a fé em nossas mentes por meio da regeneração. As Escrituras não nos concede garantia para tal crença em qualquer passagem da Escritura.
Em última análise, o que Calvinistas como Sproul e Packer, entre outros, tem feito é fazer com que o ensino Reformado de Lutero e Calvino doutrina infalível – excluindo todas as outras (a vasta maioria) que discordam com certos aspectos da doutrina deles – e para excluir todos os outros de qualquer relação com a Reforma, declarando-os “não Cristãos” ou “anti Cristãos”.[11]
O comentário de Sproul, que Arminianos são “quase” cristãos, ainda divide o corpo de Cristo. Arminianos Clássicos (e até mesmo semi- Pelagianos), embora redimido pelo mesmo Salvador como o Calvinista (e por própria admissão dos Calvinistas, doutrinariamente, foram eleitos incondicionalmente pelo mesmo Deus), são concebidos por alguns Calvinistas como uma deformidade no corpo de Cristo – uma mancha que trás desgraça à Cabeça, Jesus Cristo.
Até mesmo no meu grande desdém com o Calvinismo, eu não me lembro de ter afirmado que os Calvinistas são não cristãos ou anti cristãos. Historicamente, o Calvinismo é heterodoxo, pela Igreja primitiva antes de Santo Agostinho, no século V não ensinar nada remotamente relacionado com as novas teorias da eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível ou o determinismo exaustivo e meticuloso de Deus. Mas as profundidades e comprimentos que alguns Calvinistas trilharão a fim de propagar o Calvinismo é absolutamente aterrador.
Um dos aspectos que os Calvinistas desprezam mais o Arminianismo e uma das razões por que eles consideram o Arminianismo como heresia é a concessão da graça de Deus ao pecador para crer em Cristo que pode ser resistida. Sproul se queixa: “então, porque dizer que o Arminianismo ‘em efeito’ faz da fé uma obra meritória? Porque a boa resposta que as pessoas fazem ao evangelho torna-se o fator determinante último na salvação.”[12] A queixa de Sproul é essencialmente com a Escritura, e a maneira em que Deus declarou que Ele trabalha na terra com a humanidade, não com a teologia Arminiana adequada.
Desde que a fé em Cristo não é, biblicamente declarada, uma obra (Rm 4.4-5), então, nem a fé não pode ser vista na teologia Arminiana. Confiar em Cristo não é uma obra para a salvação, mas um crer para a salvação. Paulo resolveu essa questão em sua carta aos Romanos. Deus é ainda o que determina quem será salvo (I Co 1.21). Se as pessoas só crêem em Cristo por meio de uma obra do Espírito Santo, então porque alguém imaginaria que o ser humano dá a si próprio toda a glória pela salvação de Deus.  A noção não faz nenhum sentido do ponto de vista bíblico.
O “ultimo fator determinante na salvação”, como Sproul declara, sendo o instrumento de uma fé em Cristo, ainda não pode ser visto como uma obra, tomado estritamente, ou um “retorno a Roma”, uma vez que confiar em Cristo não é considerado uma obra para a salvação (Rm 4.4-5). Se Deus estabeleceu uma condição para salvar uma pessoa e Ele tem – pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo – então, até mesmo o “ultimo fator determinante na salvação” ainda é Deus, uma vez que só Ele salva; a fé em Cristo não nos salva ou causa a regeneração. Deus causa ou trabalha a regeneração ou salvação quando a fé é colocada em Jesus Cristo Seu Filho. A fé, como uma resposta a graça iniciada, é um instrumento para a salvação, mas não é a própria salvação ou regeneração.
Para o Arminianismo ser considerado um falso evangelho ou uma heresia condenável, ela teria que negar um dogma central da fé cristã e por isso, ser condenada como tal por toda a igreja. Mas o Arminianismo afirma cada dogma central da fé cristã e nunca foi universalmente condenado. Por isso não é uma heresia. O mesmo também pode ser dito do Calvinismo; que afirma cada dogma central da fé cristã e nunca foi condenado como tal por toda a igreja. Por isso não é uma heresia.
Que os intelectuais Calvinistas como Sproul e Packer (entre uma série de outros) não tem se engajado com precisão as doutrinas do Arminianismo Clássico é uma vergonha total. Arminianos não são “quase” salvos até mesmo por uma “feliz inconsistência”. Arminianos, pela graça por meio da fé em Jesus Cristo, são salvos, de acordo com a Palavra de Deus são “salvos perfeitamente” (Hb 7.25). a acusação de heresia não fica com o Arminianismo.
Tradução: Walson Sales
__________

1 Alister McGrath, Heresy: A History of Defending the Truth (New York: HarperOne, 2009), 215.
2 Kenneth D. Keathley, “The Work of God: Salvation,” in A Theology for the Church, ed. Daniel L. Akin (Nashville: B&H Academic, 2007), 703.
3 R.C. Sproul, Willing to Believe: The Controversy over Free Will (Grand Rapids: Baker Books, 1997), 25.
4 Ibid., 24.
5 Ibid.
6 Ibid., 22-23.
7 Ibid., 23.
8 Ibid., 24.
9 James Arminius, “Certain Articles to be Diligently Examined and Weighed: XIX. On Faith,” The Works of Arminius, three volumes, the London Edition, trans. James and William Nichols (Grand Rapids: Baker Book House, 1996), 2:723.
10 Ibid., 2:723-24.
11 Sproul, 24.
12 Ibid., 26.
Reações:

0 comentários:

Postar um comentário

Esse Blog apóia Samuel Câmara

Esse Blog apóia Samuel Câmara
CGADB PARA TODOS