segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A expressão sobre esta pedra relaciona-se com a resposta de Pedro, Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo. E sobre Cristo que a Igreja foi edificada, e não sobre Pedro. Jesus afirmou que Ele mesmo era a Pedra (Mt 21.42). Essa afirmação é uma interpretação veraz do Salmo 118.22-24. O próprio Pedro identifica Jesus como a Pedra (At 4.11-12; 1 Pe 2.4-6). Se Pedro foi papa durante 25 anos, então existe algo errado, já que esse apóstolo foi martirizado no reinado de Nero, por volta de 67 ou 68 a.D. Subtraindo desta data 25 anos, retrocederemos ao ano 42 ou 43 a.D. Nessa época não havia ocorrido ainda o Concílio de Jerusalém (At 15), que se deu mais ou menos no ano 48 a.D., ou um pouco depois. Pedro participou do Concílio, mas foi Tiago quem o realizou e presidiu (At 15.13-19). Em 58 a.D., Paulo escreveu a epístola aos Romanos. E no capítulo 16 mandou saudação para muita gente em Roma, mas Pedro sequer é mencionado. Por outro lado, Paulo chegou a Roma no ano 62 a.D. e foi visitado por muitos irmãos (At 28.30-31). Todavia, nesse período, não há nenhuma menção a Pedro ou a algum papa. O apóstolo Paulo escreveu quatro cartas de Roma: Efésios, Colossenses e Filemom (62 a.D.) e Filipenses (entre 67 a 68). Pedro não é mencionado em nenhuma delas. Novamente, não se tem notícia desse suposto papa. Assim, não existe fundamento bíblico nem subsídio histórico para consubstanciar a figura do papa. Ainda sobre o poder concedido a Pedro, estaria Jesus outorgando autoridade para que outras pessoas a exercessem de forma singular como outra cabeça da Igreja? Devemos considerar o texto em estudo e seu contexto em relação a:
1. Enquanto Pedro é mencionado na segunda pessoa (tu), a expressão esta pedra está na terceira pessoa.
2. Pedro (petros) é um substantivo masculino, enquanto pedra (petra) é um feminino singular. Conseqüentemente, essas palavras não têm a mesma referência. Ainda que Jesus tivesse falado em aramaico, o original grego inspirado traz as distinções.
3. A mesma autoridade concedida a Pedro por Jesus estende-se também a todos os apóstolos em Mateus 18.18.
4. Pedro não era representante dos demais apóstolos. Em Mateus 16.23 encontramos Pedro sendo repreendido por Cristo à parte dos apóstolos. Os demais apóstolos, por sua vez, também foram exortados por Jesus na mesma ocasião. Se Pedro tivesse de fato primazia sobre seus companheiros de ministério, Jesus não o teria repreendido longe deles (vv 22-23).
5. O impressionante é que até mesmo certas autoridades católicas estão de acordo que a referência estudada não diz respeito a Pedro, o destaque aqui para João Crisóstomo e Agostinho. Escreveram: Nesta pedra, então, disse Ele, a qual tu confessaste. Eu construirei minha Igreja. Esta Pedra é Cristo; e nesta fundação o próprio Pedro construiu (“Agostinho – Comentário sobre o Evangelho de João”).
Se considerarmos o fato de que Pedro é uma pedra não -angular, assim como alguns não-católicos acreditam, chegamos à conclusão de que ele não era a única pedra na fundação da Igreja. E notável que Jesus deu a todos os apóstolos o mesmo poder para ligar e desligar (Mt 18.18). Essa autoridade era comum aos rabinos, que tinham o privilégio para dar permissão e proibir. Não se tratava de uma porção de poder concedido somente a Pedro, mas também à Igreja, pela qual proclamamos o Evangelho, o perdão de Deus e seu julgamento aos impenitentes. Em Efésios 2.20 encontramos que a Igreja fora constituída sob a fundação dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a pedra angular. Assim, todos os apóstolos, e não somente Pedro, são a fundação da Igreja. Contudo, o único que tem preeminência sem igual é Cristo, a pedra angular. O próprio Pedro referiu-se ao Senhor Jesus como o fundamento da Igreja (1 Pe 2.7). Os demais crentes, portanto, são as pedras vivas (v 5) nessa edificação. Não há nenhuma indicação de que a Pedro fosse determinado, acima dos demais apóstolos, um lugar de proeminência na fundação da Igreja. O papel de Pedro, no Novo Testamento, está longe da reivindicação católica romana de que ele tinha e era autoridade sobre seus companheiros. Embora o encontremos como orador principal no dia de Pentecostes, sua atuação no restante do livro de Atos é escassa, sendo ele considerado como um dos apóstolos. De forma muito clara, Paulo falou o seguinte: em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos (2 Co 12.11). Será que uma leitura mais cuidadosa da carta aos Gálatas fará com que aceitemos que algum apóstolo foi superior a Paulo? Creio que não. Pois Paulo reivindicou para si uma revelação independente dos demais apóstolos (Gl 1.12; 2.2), reconheceu que seu chamado era semelhante ao ministério de Pedro (Gl 2.8), a ponto de usar de sua autoridade para repreender a Pedro (Gl 2.11-14). O fato de Pedro e João serem enviados pelos demais apóstolos a uma missão especial em Samaria demonstra que Pedro não tinha uma posição superior entre eles (At 8.4-13). Se Pedro era superior aos demais, por que é dispensada ao ministério de Paulo uma atenção maior, fato constatado nos capítulos 13-28? No primeiro concílio realizado em Jerusalém (At 15) a decisão final não partiu de Pedro, mas, sim, dos apóstolos e dos anciãos. Além disso, foi Tiago, e não Pedro, que presidiu o conselho (At 15.13). Em momento algum, já que era superior aos demais apóstolos, Pedro reivindicou ser pastor das igrejas, antes exortou os presbíteros para que cuidassem do rebanho de Deus (1 Pe 5.1-2). Embora reconhecesse ser um apóstolo (1 Pe 1.1), ele não se intitulou o apóstolo, ou chefe dos apóstolos. Sabia que era apenas uma das colunas da Igreja, com Tiago e João, e não a coluna principal (Gl 2.9). Contudo, foi falível em sua natureza. Somente a Palavra de Deus é infalível. Isto não quer dizer que ele não teve um papel significante na vida da Igreja. Segundo afirmação do catolicismo romano, os sucessores de Pedro ocupam sua cadeira. Quando, portanto, analisamos as Escrituras, encontramos critérios específicos para o apostolado (At 1.22; 1 Co 9.1; 15.5-8), de modo que não poderia haver sucessão apostólica no bispado de Roma ou em qualquer outra igreja. Quanto às chaves entregues simbolicamente a Pedro, elas não significam que ele tinha poder para fazer entrar no céu quem ele quisesse. Essas chaves representam a propagação do Evangelho, pela qual todos os pregadores, e não Pedro apenas, podem abrir as portas dos céus aos pecadores que desejam ser salvos. Jesus foi explicito e enfático ao ordenar a divulgação das boas-novas em Lucas 24.46-47. A mensagem de salvação produz arrependimento. Arrependimento e fé na pessoa e obra de Cristo, ou seja, em sua morte e ressurreição. Pedro abriu as portas do céu para os seus ouvintes no dia de Pentecostes (At 2.37-41); na casa de Cornélio (At 10.42-43).
FONTE: CURSO APOLOGÉTICO CACP
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