quinta-feira, 1 de julho de 2010

Lição 1 – O Ministério Profético no Antigo Testamento


No próximo domingo, os alunos e professores de todo o país (e algumas partes do mundo) terão a oportunidade única de iniciar um estudo inédito acerca do ministério profético na Bíblia. Em quase noventa anos de história da revista Lições Bíblicas, algo parecido com o que ora vamos estudar foi publicado em 1937, sob o título Ensinos dos Profetas, e em 1938, o tema Estudos da Vida dos Profetas e do Povo de Israel, ambos os comentários de autoria do missionário Nils Kastberg. Em 1941, o missionário Samuel Nyström comentou o tema A Missão do Profeta. Considerando que o tempo passa, as pessoas morrem e outra geração se levanta, é legítimo que temas que já foram estudados voltem à pauta. Mas, decididamente, esse não é o caso da lição desse trimestre. Ele é inédito! Se se quisesse pensar de maneira mais profunda acerca do assunto, pode-se acrescentar à discussão o fato de que toda e qualquer produção teológica é resultado de um trabalho humano e, por definição, passível de erro. Logo, pode ― e deve ― sofrer revisões. (A própria evolução de como se chamava o “profeta” (cf. 1 Sm 9.9) denota que existe influência a esse respeito não diretamente ditada por Deus).1

Acerca do título, ao primeiro olhar pode transparecer que trata-se de um pleonasmo, pois “é óbvio que o ministério profético só existe na Bíblia”, pode pensar alguém. Se a referência for a ministério profético verdadeiro, tudo bem, mas a existência de pessoas que supostamente são porta-vozes de alguma divindade é algo muito anterior à própria existência de Israel. Assim, o título “O Ministério Profético na Bíblia” é uma delimitação correta e necessária. Falar de um movimento amplo como o profetismo e não delimitá-lo, transparece total desconhecimento acerca do tema. Aliás, posso seguramente afirmar, que nem todas as pessoas estão preparadas para ter contato com o farto material “não-cristão” que trata desse assunto! As semelhanças e paralelos que existem entre as manifestações pagãs que nada tem que ver com o que se vê no contexto bíblico e o que atualmente se verifica em muitos lugares são abundantes (Quem já leu os volumes I e II da obra Economia e Sociedade de Max Weber sabe do que estou falando)! A profusão de advertências acerca disso que podem ser conferidas por toda a Bíblia, oferece uma pista e deveria soar como um alerta para nós acerca desse fato (Dt 13.1-11; 1 Rs 13.11-32; Mt 7.22; 1 Co 14; 1 Jo 4.1-3)!

Partindo do princípio de que a maior parte da Bíblia ― o Antigo Testamento ― “considera a profecia a atividade principal do Espírito Santo junto de seu povo”2 e que nos círculos pentecostais inúmeras vezes surgem manifestações que se imiscuem sobre a mesma rubrica dessa atividade, é no mínimo irresponsabilidade e no máximo loucura, deixar de debruçar-se sobre esse tema. Qual a diferença ― se é que há alguma ― entre essa atividade exercida no Antigo Pacto e agora no Novo? Pensando de forma ainda mais problemática: O que é profecia? O que se ouve e vê atualmente pode ser classificado como “profecia”? Qual a verdadeira função da profecia?

Se existe realmente uma preocupação em romper com a banalização do sagrado em nosso meio, é preciso entender o assunto ― primeiro ― biblicamente, sem, contudo desprezar os aspectos cultural, histórico e contingencial da atividade profética. Desvincular o ministério profético de sua necessidade e surgimento histórico significa não entendê-lo e insistir em erros recorrentes e já bastante conhecidos. Por exemplo, raramente se valoriza o aspecto urgente, imediato e de pertinência da profecia, antes, ela é buscada simples e puramente como algo de caráter sumamente previsível e futurístico. Outro exemplo que pode servir para demonstrar a complexidade do assunto consiste da análise de um simples texto, como o de Números 12.6, em que a Bíblia reconhece a existência da pessoa e, consequentemente, da atividade profética, antes de Moisés, pois o Eterno disse: “Ouvi, agora, as minhas palavras; se entre vós há profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos”. Tranquilamente alguém poderia responder: “Claro que já havia profeta antes de Moisés, a Bíblia [leia-se, o Senhor Deus] menciona Abraão como profeta (Gn 20.7) e Judas fala que Enoque ‘profetizou’ (vv.14,15)”. Nesse caso, se o pesquisador optar por ler a Corrigida terá sua ideia corroborada, pois o texto está registrado da seguinte maneira: “Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele me farei conhecer ou em sonhos falarei com ele.” Contudo, haverá ainda mais problemas, pois esse texto dá a “entender” que existe o “dom de profeta” independente do chamamento divino, sendo então tal pessoa “aproveitada” pelo Eterno (leia 1 Rs 13.11-32)!

O fato de Moisés ser um profeta diferente, distinto e, de certa forma, modelo ou arquetípico, para os que vieram após ele, demonstra sua importância no contexto bíblico e marca uma ruptura com todos os que o precederam ou sucederam: “O SENHOR, teu Deus, te despertará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis” (Dt 18.15 cf. 34.10). A grande prova de que Moisés não achava-se exclusivo foi quando respondeu a Josué: “Tens tu ciúmes por mim? Tomara todo o povo do SENHOR fosse profeta, que o SENHOR lhes desse o seu Espírito!” (Nm 11.29). Após a morte de Moisés e, particularmente, no período da monarquia, o ministério profético foi se mostrando cada vez mais imprescindível e necessário. Mas isso tudo será estudado durante esse trimestre, portanto, querido professor, companheiro da Educação Cristã, prepare-se!


Um excelente trimestre a todos.


NOTAS
1 “Esta palavra é derivada do termo grego prophetes, ‘aquele que fala sobre aquilo que está porvir [ou adiante]’, um proclamador ou intérprete da revelação divina (Arndt, p. 730). Ela geralmente refere-se àquele que age como porta-voz. Às vezes, também é sinônimo de ‘vidente’ ou ‘pessoa inspirada’, e traz a conotação de um prenunciador ou revelador de eventos futuros. O uso prático determina o sentido em que a palavra deve ser entendida” (PFEIFFER, Charles, REA, John, VOS, Howard. (Orgs.) Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p.1607).

2 HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento. 8.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.59. 

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